Sabe aquele papo de que jogo é coisa de criancinha? Pois é teve um tempo em que se dizia isso sobre desenho animado, existiam, óbvio, pessoas dispostas a provar o contrário e outras e que realmente não estavam tão aí para isso, é o caso de Tim Burton e seus fantásticos stop-motions. Dia desses eu consegui colocar minhas mãos em um jogo que é, para mim, o "Estranho Mundo de Jack" dos videogames: Psychonauts, autoria de Tim Schaffer ( o mesmo de Grim Fandango e Brutal Legend).
Se o jogo parece infantil, é porque a princípio ele é, assim como os filmes da Pixar, e como os mesmos, possui um charme e uma mui intrigante rede de momentos nada infantis. Comecemos pelo básico, a história.
Pois bem, o jogo conta a história de Razputin ( Raz para os íntimos ), um jovem psíquico que entra de penetra num campo de concentração para crianças super-dotadas, lá ele conhece os mais diversos tipos de personagens, todos bizarramente insanos: desde um agente secreto com TOC até um maluco que briga com sua dupla personalidade, ninguém menos que Napoleão. Agora vem a parte mais legal: a maior parte do jogo se passa não no mundo real, mas na mente dos outros personagens, que pode ser invadida através dos poderes psíquicos de Raz; quanto mais insana a pessoa, mais distorcido é o seu mundo, observe a imagem abaixo e você entenderá.
Mas isso não é tudo, não apenas as fases são ensandecidas como também são, em muitos casos, trágicas; ocorre o seguinte, nas fases é possível achar arquivos secretos que contam a trajetória de cada personagem e como ele ficou louco de fato, motivos que, é de se esperar, não são nada bons; vou dar um exemplo leve: o tal agente secreto com TOC desenvolveu o problema pois quando era criança, recém descobrindo seus poderes, acabou vasculhando a mente de seu pai e acabou vendo bem mais do que queria (especialmente coisas envolvendo sua mãe, imaginem vocês o quê ), traumatizado e sem poder encarar o pai, ele foge de casa. Isso foi um caso leve, fica bem pior e em alguns casos é simplesmente pertubador.
Estrutura à parte, o jogo é muito bonito ( psicodélico mesmo ) em quase todas as plataformas ( Xbox e Pc) mas meio defasado no Ps2, isso não tira a diversão mas deixa um pouco a desejar; fora isso os gráficos são bem coloridos e o character design bem carismático. O sistema de controles é muito intuitivo e bastante fácil e o sistema de "level" é bem interessante e simples (junte pontos, ganhe habilidades).
As fases, como já dito, são merecedoras de prêmio, únicas e cativantes por mérito próprio, com mecânicas diferentes em cada fase ( algo típico em jogos de plataforma é verdade, mas nem sempre obtido com êxito ) e todas com no mínimo um momento que você vai lembrar e pensar " que diabos foi aquilo?".
Se você algum dia já pensou em como seria entrar na mente dos outros, se ponderou em quão louca e confusa é a nossa psique; se gosta de psicodelia e acha que tomar ácido é que nem comer pão com manteiga então esse jogo é pra você. Se você é do tipo que acha que jogo é para esmagar botão e não para filosofar então foi mal, mas esse daqui não faz o seu estilo, joga winning eleven que tu vai ganhar mais; pra quem curte um exercício filosófico disfarçado com brincadeira ( das boas ), corre agora e pega uma cópia sei-lá-eu-aonde ok?



Um comentário:
Bah... Vou indicar esse post para o meu primo. ^^
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